Depois de quase 20 anos de NBB, já dá para dizer que temos algumas “eras” definidas. A primeira entre 2008 e 2013 foi a era pós-CBB, a segunda entre 2014 e 2018 surgiram os supertimes, de 2018 até 2021 tivemos a consolidação do supertécnico e de 2022 até agora a era Franca. Entre todas elas, o Flamengo sempre foi um protagonista. A questão que aflige a torcida do Flamengo é que desde 2021, o time não conta com os maiores jogadores do Brasil.
Ter os melhores dos melhores era uma dos ingredientes da “fórmula” que fez do Flamengo o time da década passada. Isso permitiu que o time de José Neto fosse uma dinastia que venceu o NBB nos anos de 2012 a 2016 e depois com Gustavo de Conti em 2019. Não faltaram adversários fortes. O Flamengo venceu supertimes como o de Bauru em 2014 contando em seu elenco, astros como Marcelinho, Marquinhos e Laprovitta.
Não me levem a mal. Não é como se o rubro-negro não tido e não tenha um elenco forte. Afinal, o Flamengo teve nos últimos tempos jogadores fantásticos como Vildoza, Gabriel Jaú e falando do elenco atual, craques como Gui Deodato, Ruan Miranda e Alexey, mas ter em quadra 3 jogadores da seleção, hoje, o Flamengo não tem. E isso faz a diferença.
Isso ficou claro na dura derrota contra Franca ocorrida no jogo 5, no último dia 3 de junho pelo NBB 24/25. O Flamengo lutou até o final, quando levou o jogo para a prorrogação, mas o trio de Lucas Dias, Georginho e Didi. Os tres foram diretamente responsáveis pelo triunfo sobre o Flamengo. Foi por pouco, mas ocorreu.
Didi foi o mais constante durante todo o playoff. O ex-rubro-negro teve média de 20 pontos nos 5 jogos da série, com destaque aos 29 pontos no jogo 4. Mais que pontuar, Didi mostrou maturidade durante a série inteira. Um exemplo foi um lance no complicado jogo 5 em que foi para a cesta, levou um tapa sem querer do defensor do Flamengo, converteu a cesta e não teve falta marcada. O banco de Franca enlouqueceu e o jogador sinalizou calmamente a seu banco que estava tudo bem e iria seguir em frente. Nada de falta técnica e descompasso emocional. Sobre Lucas Dias não tem muito mais o que dizer do melhor jogador em atividade no Brasil. Mesmo quando Lucas não está nos seus melhores dias, o jogador conhece os caminhos da vitória e foi novamente decisivo no jogo 5 com seus 27 pontos. Já Georginho chega ser covardia o kit de ferramentas do jogador.
A boa notícia para a torcida do Flamengo tem nome e sobrenome: Sérgio Hernandez. O técnico argentino chegou em fevereiro e já conseguiu resultados importantes como a vitória na BCLA. “Tenho muito orgulho desse time” disse “Oveja” no final do jogo 5. Agora, com tempo e principalmente com a possibilidade de encontrar um belo orçamento, o Flamengo de Oveja pode ir ao mercado e buscar peças complementares para que esse protagonismo seja convertido em campeonatos
Veja a entrevista com Sérgio “Oveja” Hernadez após o jogo 5 contra Franca
https://www.youtube.com/watch?v=g5sTzV3aC4E&ab_channel=PedroRodrigues